Domingo, 15 de junho.
“Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará.”
O batismo nos torna filhos de Deus e, ao mesmo tempo, filhos da Santíssima Trindade que é Pai, Filho e Espírito Santo, ou seja, temos a proteção dos três. Essa trina união gera o amor, então somos feitos para amar tanto a Deus como ao próximo.
Somos católicos e monoteístas, ou seja, acreditamos em um único Deus, onde nosso Deus se revelou plenamente na vida de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto três pessoas em um só Deus. E não há como entender isso porque é um mistério divino.
Santo Agostinho estava na praia refletindo sobre o mistério da Santíssima Trindade quando viu um menino tentando encher repetidamente com água do mar um buraco cavado na areia. Santo agostinho disse ao menino que aquilo era impossível porque a areia da praia é permeável; em seguida o menino respondeu que seria mais impossível entender o mistério da Santíssima Trindade.
A Santíssima Trindade é una e trina, pois para um batismo ser válido deve ser em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nós, batizados, também podemos batizar, numa emergência, uma criança em seu leito de morte que não foi batizada, com o consentimento dos pais dela. E até mesmo um adulto em seu leito de morte, com o seu consentimento.
No batismo, somos batizados na trindade porque Deus imprime em nosso caráter e DNA sua imagem e semelhança e, com isso, nos tornamos seus filhos com qualidades divinas. A sabedoria foi gerada por Deus e estava com Deus desde o princípio, na qual até os cientistas deram o nome de partícula divina quando Deus criou os cosmos através de uma explosão muito mais rápida que a velocidade da luz.
E a criação mais importante de Deus foi o homem, Deus quis que o homem e a mulher fossem a obra prima da criação divina, por isso Deus é o criador e quem gera a vida. No entanto, temos a morte devido à desobediência do homem que foi privado da imortalidade, porque é o pecado quem gera a morte.
O produto que gera a vida no ser humano é o perdão, do contrário, as pessoas não vivem, vegetam, se escravizam, são vazias e, ao mesmo tempo, pensam que são felizes. Sim, elas são felizes, às custas dos direitos dos outros. Para Deus, a verdadeira felicidade deve ser compartilhada com todos.
Por isso, São João resumiu toda a Bíblia numa frase: Deus é Amor! E onde há amor não há temor nem divisão. Por isso o cristianismo luta contra todas as estruturas de morte como injustiças, desigualdades, divisões, aborto, eutanásia, mentiras etc. Tudo o que fazemos por amor é na verdade uma qualidade intrínseca que nos une ao nosso criador.
Para gerar vida nas pessoas devemos agir com alegria, fé, união, reconciliação, caridade, esperança, perdão, atenção, companheirismo, paz, justiça etc. Para dar vida, é preciso ter vida, ou seja, é preciso ter experimentado a ressurreição (se converter). Ao fazer o sinal da cruz, devemos fazê-lo de modo sereno, com fé e dignidade porque é o sinal da grande bênção que recebemos de Deus e onde Jesus Cristo venceu a morte.
Somos pessoas trinitárias porque somos chamados por Deus a gerar vida e amor, e não há maior amor do que dar a vida pelo irmão, ou seja, vida de amor e de entrega. Quantas situações de sacrifícios vivemos como, por exemplo, um filho que adoece e ficamos a noite inteira acordados com ele no hospital, mas que para nós não é sacrifício porque fazemos por amor, do contrário é murmuração.
Deus nos cumula de bênçãos quando fazemos um sacrifício por amor e, com isso, tornamos sagrada aquela situação. Quando for dar esmolas, dê de coração, independente do que a pessoa fará com elas, porque a esmola é muito mais para nós do que para eles. E o que ela fizer com a esmola não nos pertence.
Assim como o perdão, se você pedir perdão a alguém e ele não te perdoar, é problema dele. Quanto a ti, é um ato de sacrifício que você realizou, e Deus te cumulará de bênçãos.
Cada pessoa da Santíssima Trindade tem sua identidade própria e missões próprias, e o relacionamento deles é tão profundo e tão perfeito no amor que se tornam um só. E isso se iguala ao sacramento do matrimônio, onde o casal (marido e mulher) se tornam uma só carne.
Por isso o casamento cristão é feito na igreja, não em sítio ou em buffet, porque é a igreja que faz tornar sagrado a união entre homem, mulher e Deus: três pessoas. Porque o casamento sem Deus não dá certo.
O que nos une é o Espírito do amor, por isso devemos ter regras e, por essa razão, Jesus Cristo quis a igreja. A Igreja Católica teve sua origem no momento em que sangue e água jorraram do lado aberto de Jesus Cristo, após ser perfurado pela lança. Os dois sacramentos: Sangue, Eucaristia e água, o batismo. “Pai, que eles sejam um como Eu e Tu somos um!”
Que possamos assumir nossa vocação de gerar vida, e isso se vive na busca da união e trabalho coletivo. Na política, por conta de divisões de partidos, deixa-se de fazer o bem para muita gente. Se todos se unissem como pontes para a construção de um país melhor, muitas barreiras seriam rompidas e muitas vidas seriam geradas.
Artigo baseado na homilia de
Padre Manoel Corrêa Viana Neto
Diocese de Campo Limpo
São Paulo – SP
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