Os 72 Discípulos | 14º Domingo do Tempo Comum – 2025


Domingo, 06 de julho.

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“Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!'”

Hoje a liturgia nos convida a refletir, neste tempo comum, cuja cor verde expressa a esperança de crescimento na fé e em nossa vida cristã; o evangelho de São Lucas que tem como centro mostrar a misericórdia de Deus através das parábolas: Dracma perdida, a Ovelha perdida e o Filho Pródigo. As parábolas enfatizam o valor de cada pessoa para Deus e a alegria que Ele sente quando alguém perdido é encontrado e trazido de volta.

Jesus envia 72 discípulos, dois a dois

No evangelho de hoje, Jesus envia 72 discípulos, um número que varia de 70, como as 70 tribos, que representam as nações conhecidas no Gênesis e que tiveram a experiência do conhecimento de Deus. Na tradição judaica, para ter credibilidade, era necessário ter uma testemunha consigo; por isso, o envio dois a dois.

Do mesmo modo, o casal é chamado a dar testemunho da fé no matrimônio porque são dois. Além do mais, o casal cristão entende que ele é chamado a viver o sacramento do matrimônio a três, onde a terceira pessoa é Jesus Cristo, testemunhando o mesmo sentimento, convicções, desejos e santificação no desdobramento da família com a geração de filhos.

Por isso, para o casal cristão, estar aberto à vida, à procriação, não é apenas um senso biológico, mas um senso teológico, pois permite que Deus possa conduzir suas vidas. Por essa razão, a Igreja condena qualquer tipo de anticoncepcional artificial, considerando pecado mortal.

O relacionamento entre conjugues não é apenas para o prazer.

Quando a pílula anticoncepcional surgiu entre as décadas de 1940 e 1950, foi gerado um divórcio entre fé, razão, natureza humana e espiritualidade e, com isso, começa-se a pensar que o relacionamento entre homem e mulher é apenas para o prazer. A Europa está envelhecendo porque pouco se procria, contudo os mulçumanos imigram para lá gerando em média 5 a 8 filhos, tal realidade nos permite prever a mudança de cultura na Europa.

Jesus quando envia os 72 discípulos, os envia para onde Ele iria passar, posteriormente eles preparam essas cidades para a vinda do Salvador, ou seja, a vinda do Reino de Deus que está próxima. E os discípulos voltam felizes, falando que até os demônios os obedeciam. E Jesus diz para ficarem felizes porque seus nomes estariam escritos no livro da vida.

O grande testemunho que nós damos em anunciar o evangelho, não é apenas anunciar o que está na Bíblia, mas sim através de um interlocutor, e esse interlocutor é o nosso testemunho de vida que nos permite anunciar com autoridade. E com isso as pessoas passam a se identificar com as dificuldades e superações que passamos. Esse foi o modo como os discípulos anunciaram Jesus.

Não existe ser humano impecável

Diz Santo Inácio de Antióquia, discípulo de São João Evangelista, “Como é maravilhoso ensinar quando se vive o que se ensina”. Geralmente temos uma visão tão alta do cristianismo que nos impede de vivenciá-lo, porque não levamos em consideração que não existe ser humano impecável. Deus sempre nos amará mesmo se nós o negarmos porque Deus é imutável. O amor de Deus não depende de nós, ou seja, o amor de Deus não depende do outro e isto também serve para os casais.

A essência do amor é amar apesar de… O amor, embora passe pelo afeto, não é um afeto, mas um princípio de decisão, ou seja, o amor tem que ser uma decisão e não apenas um sentimento afetivo, por isso dizemos no altar: “serei fiel na riqueza, na pobreza, na saúde e na doença”. E isso se desdobra para os filhos, para os parentes, amigos, comunidade e para o mundo.

Se sua família está desunida por conta do pecado, consagre-se ao Sagrado coração de Jesus participando de um encontro por mês durante 9 meses, e peça ao Espírito Santo para lhe dar forças para viver a castidade. A castidade não é apenas um ato praticado fora do casamento, mas também dentro quando os conjugues são fiéis um ao outro. Com isso iremos expressar a qualidade de Deus que é amar incondicionalmente.

O pior pecado é romper com o amor

O pior pecado não é mentir ou ser hipócrita; o pior pecado é romper com o amor. Quando isso acontece, nos afastamos de Deus e ainda assim achamos que está tudo bem. Para suprir esse amor ausente, buscamos falsos amores, como, por exemplo, nos fazer de vítimas para conseguir o que queremos.

Para termos poder sobre o demônio devemos estar em íntima comunhão com o que é soberano, o amor de Deus. A única coisa que pode destruir o mal é o amor, não é o poder legislativo, judiciário etc. E a única coisa que pode mudar o homem é o coração do homem, e o que o torna impuro também é aquilo que sai de seu coração.

Se quisermos mudar o mundo, a sociedade e nossos irmãos, comecemos a mudar por nós mesmos dizendo sim a Deus. E dizer sim a Ele também implica deixar de fazer o que gostamos, mas que, certamente, lhe desagrada. E sabemos muito bem o que são. “Voltem para seus lares e amem suas Famílias!” (Madre Teresa de Calcutá).

Nossas famílias são pilares fundamentais para o aprendizado das virtudes e dos ensinamentos do evangelho. Por isso, é essencial protegê-las das influências negativas do mundo. Há mais de 300 anos antes de Cristo, os gregos já afirmavam que “a família é a célula-mãe da sociedade”, destacando sua importância na formação de uma sociedade saudável e virtuosa.  Lutemos pelas convicções de fé que recebemos da nossa mãe igreja.

Artigo baseado na homilia de
Padre Manoel Corrêa Viana Neto
Diocese de Campo Limpo
São Paulo – SP

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